
A sambista Adriana Araújo, de 49 anos, morreu nesta segunda-feira (2/3), dois dias depois de ter um aneurisma cerebral. A cantora passou mal em casa no último sábado (28/2), desmaiou e foi levada a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Ela foi transferida para o Hospital Odilon Behrens, em Belo Horizonte, em seguida, onde permaneceu internada em estado grave.
O caso chama atenção porque o aneurisma cerebral pode evoluir de forma silenciosa até que ocorra a ruptura, situação que configura uma emergência neurológica.
“Em muitos casos, ele não provoca sintomas e a pessoa pode conviver com essa condição por anos sem saber”, afirma o neurocirurgião Victor Hugo Espíndola, do Hospital de Base de Brasília.
O que é um aneurisma cerebral?
Segundo o Ministério da Saúde, o aneurisma é uma dilatação anormal em um vaso sanguíneo, geralmente causada por fragilidade na parede da artéria. Quando atinge o cérebro, o risco maior é a ruptura, que pode provocar hemorragia e comprometer funções vitais.
A neurologista Sheila Martins, presidente da Rede Brasil AVC, explica que a dilatação na parede da artéria do cérebro é semelhante a uma “bolha” no vaso. A maioria dos casos é do tipo sacular, também chamado de “berry”, e pode permanecer assintomática por muito tempo.
Quando ocorre a ruptura, o sangue extravasa para o espaço entre o cérebro e as meninges, causando hemorragia subaracnoide (HSA), uma forma de AVC hemorrágico.
A ruptura espontânea de aneurisma é a causa mais comum de HSA não traumática, sendo responsável por cerca de 80% a 85% dos casos.
Sintomas: quando acender o alerta
Na maioria das vezes, o aneurisma não causa sinais enquanto está íntegro e pode ser descoberto incidentalmente em exames de imagem feitos por outros motivos. Os principais sinais de alerta de ruptura são:
- Dor de cabeça súbita e muito intensa, frequentemente descrita como “a pior da vida”;
- Desmaio;
- Náuseas e vômitos;
- Rigidez de nuca;
- Confusão mental;
- Alterações neurológicas, como dificuldade para falar ou fraqueza em um lado do corpo.
O neurocirurgião Victor Hugo Espíndola faz um alerta importante: “Uma dor de cabeça muito forte, de início repentino e diferente do padrão habitual, deve ser avaliada imediatamente. O atendimento rápido é fundamental”.
Sheila Martins lembra que, em neurologia, existe um princípio claro: quanto mais rápido o atendimento, maiores as chances de evitar sequelas graves. Em casos de hemorragia subaracnoide, cada minuto conta.
Fatores de risco e prevenção
O aneurisma não tem uma causa única, ele é resultado da combinação entre fragilidade da parede arterial e fatores de risco acumulados ao longo do tempo. Os principais fatores associados ao aparecimento, crescimento ou ruptura são:
- Hipertensão arterial, sobretudo quando mal controlada;
- Tabagismo;
- Idade avançando ao longo dos anos;
- História familiar, especialmente quando há dois ou mais parentes de primeiro grau com aneurisma ou hemorragia subaracnoide;
- Algumas condições genéticas e doenças vasculares específicas.
Mmanter a pressão controlada, não fumar e fazer acompanhamento médico regular são medidas importantes para a prevenção, especialmente para quem tem maior risco.
Segundo os especialistas, a maioria dos aneurismas assintomáticos é descoberta por acaso, em exames como angiotomografia ou angiorressonância. O rastreio costuma ser discutido em casos específicos, como quando há dois ou mais familiares de primeiro grau afetados.
Diagnóstico e avaliação
O diagnóstico é feito por exames de imagem da cabeça. Tomografia computadorizada, ressonância magnética e angiografia cerebral são utilizados para avaliar as estruturas do cérebro e identificar se existe alguma dilatação nos vasos sanguíneos.
Embora nem todo aneurisma precise de intervenção imediata, a ruptura é uma emergência neurológica grave. Por isso, reconhecer os sintomas e buscar ajuda rapidamente pode ser decisivo.
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