
A visão costuma passar por mudanças naturais com o avanço da idade. A partir dos 40 anos, muitas pessoas começam a perceber dificuldade para ler de perto, necessidade de mais luz ou até perda gradual da nitidez. Segundo especialistas, esse processo faz parte do envelhecimento do organismo, mas pode ser retardado com alguns cuidados.
O oftalmologista Evandro Schapira, do Hospital Alvorada Moema, explica que o envelhecimento afeta estruturas importantes do olho, como o cristalino e a retina.
“O olho humano pode ser comparado a um carro antigo, cujas peças começam a sofrer desgaste. Com o tempo, estruturas fundamentais como o cristalino, que funciona como uma lente, e a retina, localizada na parte posterior do olho, passam a não funcionar tão bem quanto antes”, explica.
Essas alterações fazem parte do processo natural do organismo, mas podem favorecer o aparecimento de doenças oculares ao longo dos anos.
Quando as mudanças na visão começam
As primeiras alterações na visão geralmente aparecem entre os 40 e 45 anos. Nessa fase, muitas pessoas passam a perceber dificuldade para focar objetos próximos.
De acordo com o oftalmologista Danillo Almeida de Carvalho, do Hospital Santa Lúcia, esse fenômeno é conhecido como presbiopia, popularmente chamada de “vista cansada”.
“É a perda da acomodação do olho, que é a capacidade de ajustar o foco para enxergar de perto. Por isso, muitas pessoas começam a afastar o celular ou o livro para conseguir ler”, afirma.
O especialista afirma que esse processo começa por volta dos 40 anos e evolui gradualmente até aproximadamente os 60 anos, quando costuma se estabilizar.
Problemas oculares mais comuns com o envelhecimento
Além da presbiopia, algumas doenças se tornam mais frequentes com o avanço da idade e podem afetar a visão.
Entre as principais estão:
- Catarata: ocorre quando o cristalino perde transparência, deixando a visão embaçada;
- Glaucoma: doença que afeta o nervo óptico e pode causar perda progressiva da visão;
- Degeneração macular: problema que compromete a mácula, região central da retina responsável pela visão detalhada;
- Olho seco: redução ou alteração da qualidade da lubrificação ocular.
Schapira diz que algumas dessas condições podem evoluir lentamente e, muitas vezes, sem sintomas evidentes no início.
Hábitos que ajudam a preservar a visão
Apesar de o envelhecimento ser inevitável, alguns hábitos podem ajudar a proteger a visão e reduzir o risco de problemas oculares.
Entre os principais cuidados recomendados pelos especialistas estão:
- Controlar doenças como diabetes: o controle adequado da glicemia ajuda a evitar complicações como a retinopatia diabética, uma das principais causas de cegueira.
- Manter o peso saudável: o excesso de peso pode aumentar o risco de catarata precoce.
- Ter uma alimentação equilibrada: alimentos ricos em nutrientes importantes para os olhos ajudam a proteger a retina e a mácula. Salmão, ovos, verduras escuras como rúcula e alimentos ricos em vitaminas e minerais são recomendados.
- Evitar o tabagismo: o cigarro está associado ao aumento do risco de degeneração macular e catarata.
- Usar óculos de sol: a exposição excessiva à radiação ultravioleta pode acelerar o envelhecimento do cristalino e da retina.
Quando procurar um oftalmologista
As consultas periódicas são fundamentais para detectar alterações precocemente e preservar a visão. Segundo os especialistas, a recomendação geral é:
- Até os 40 anos: consulta a cada dois anos;
- Após os 40 anos: avaliação anual.
Carvalho destaca que o acompanhamento é essencial para o diagnóstico precoce de doenças silenciosas.
O glaucoma, por exemplo, pode evoluir sem sintomas e causar perda irreversível da visão. Por isso, mesmo sem queixas, é importante fazer exames regulares.
Com acompanhamento médico e hábitos saudáveis, é possível manter a visão saudável por mais tempo e reduzir o risco de doenças oculares associadas ao envelhecimento.
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