Samba de gafieira se adapta a nova geração e vira referência musical





Presente em salões de dança, espetáculos e até nos desfiles de carnaval, o samba de gafieira segue atravessando gerações e conquistando novos espaços na cultura brasileira. Essa vitalidade se reflete em pesquisas recentes relacionadas a popularização do samba.


O consumo do estilo musical cresceu 32% desde 2022, o que fez a procura por redutos de samba de gafieira aumentarem. Tido como uma dança mais sofisticada, restrita e elitizada, o estilo vem adotando características mais populares e se aproximando de públicos mais jovens.



Segundo a professora, escritora e mestra em artes cênicas Júlia Gunesch, o samba de gafieira está retornando ao ambiente popular muito por conta da tecnologia.


“No início do século, a dança passou por um processo de esvaziamento, onde poucas pessoas jovens dançavam. Entretanto, mais recentemente, com o advento tecnológico, os movimentos nas redes sociais alçaram o samba de gafieira para novos públicos. A dança ainda está em um lugar elitizado, mas está se misturando um pouco mais”, inicia ela.


“Hoje vemos pessoas de todas as idades nas práticas e a maior parte da procura vem de pessoas que gostam de samba. Por isso, o movimento vem ganhando força novamente nas comunidades e tendo maior projeção em congressos e eventos”, completa.


Referência artística


Nascido no final do século 19 como forma de lazer das classes populares do Rio de Janeiro, o samba de gafieira atravessa décadas como parte da cultura nacional e se consolidou como ferramenta de outras expressões artísticas, influenciando desde o teatro até os desfiles de carnaval.


“O samba de gafieira abre espaço para outras possibilidades cênicas. A forma como um corpo se movimenta individualmente e como isso influencia quando os corpos se movimentam juntos é uma potência muito grande para a cena teatral, por tornar as relações entre as pessoas mais orgânicas. No Carnaval, o Mestre Sala e a Porta Bandeira também têm forte influência do samba de gafieira”, conta Júlia Gunesch.


Na música, o estilo também volta a surgir como gênero musical e popular. No recente álbum Infinito Samba, Diogo Nogueira incorpora sonoridades mais cadenciadas, com a presença de uma orquestra, e se aproxima do samba de gafieira. Nos shows, acompanhado por bailarinos, passos da dança são interpretados no palco.


Diogo Nogueira em novo show Infinito Samba - Metrópoles
Diogo Nogueira em novo show Infinito Samba

A característica não é uma novidade. Em seus shows, o cantor Belo também utiliza bailarinas que reproduzem passos mais rebuscados, mesmo cantando um samba menos cadenciado.


Até mesmo Anitta, uma das cantoras mais renomadas do Brasil, é uma excelente dançarina de gafieira. No novo álbum Equilibrium, previsto para ser lançado ainda em 2026, ela promete flertar com o samba de gafieira em algumas faixas, reforçando a aproximação do estilo com o popular e também com o tecnológico, apontando para o resgate de uma dança que outrora foi mais valorizada.










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