TJGO absolve engenheiro pela morte de menino em parque de Caldas Novas





A 3ª Vara Criminal de Caldas Novas absolveu o engenheiro Flávio Tomaz de Aquino Musse, de 63 anos, acusado de homicídio culposo pela morte do menino Davi Lucas de Miranda, de 8 anos, ocorrida em fevereiro de 2022 no Di Roma Acqua Park, em Caldas Novas (GO).


O acidente aconteceu em um brinquedo chamado “Vulcão”, localizado dentro do parque aquático, que fica na Rua São Cristóvão, no Setor Solar. Segundo as investigações, o menino entrou em uma área que estava interditada para manutenção. No local, havia um toboágua que passava por obras de desmontagem.


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O acidente ocorreu na área do toboágua “Vulcão”, parcialmente desmontado para reformas
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O acidente ocorreu na área do toboágua “Vulcão”, parcialmente desmontado para reformas

Davi Lucas, de 8 anos, caiu de um toboágua em manutenção no DiRoma Acqua Park, em fevereiro de 2022
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Davi Lucas, de 8 anos, caiu de um toboágua em manutenção no DiRoma Acqua Park, em fevereiro de 2022

Após a queda, a criança foi resgatada e levada para um hospital de Caldas Novas, mas não resistiu
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Após a queda, a criança foi resgatada e levada para um hospital de Caldas Novas, mas não resistiu

A perícia apontou que Davi bateu em uma ripa de madeira e em estrutura metálica antes de cair na piscina
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A perícia apontou que Davi bateu em uma ripa de madeira e em estrutura metálica antes de cair na piscina

Luciano, pai de Davi, relatou à época o desespero ao encontrar o filho ferido no parque
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Luciano, pai de Davi, relatou à época o desespero ao encontrar o filho ferido no parque


Durante a manutenção, a área do brinquedo deveria estar isolada por um tapume, estrutura provisória feita geralmente de madeira ou metal, usada para fechar e proteger locais em obras, impedindo a entrada de pessoas. Esse tapume funcionava como barreira de segurança ao redor do toboágua que estava em reforma.


No entanto, a proteção foi retirada antes do acidente, o que permitiu que a criança acessasse o local. Ao subir na estrutura, o menino escorregou e caiu de grande altura, sofrendo ferimentos que resultaram em sua morte.


Na decisão, o juiz Flávio Pereira dos Santos Silva afirmou: “Não há elementos que indiquem que o réu tenha autorizado ou participado da remoção do tapume. Assim, não se pode atribuir a ele responsabilidade direta pelo acidente.” O magistrado também destacou: “A retirada do isolamento ocorreu por ordem do gerente do parque, sem conhecimento do engenheiro responsável pela obra.”


Testemunhas ouvidas pela Polícia Civil e durante o processo confirmaram que o tapume foi realmente retirado por ordem do gerente do parque, Cristiano Vilela Reis, sem o conhecimento do engenheiro. Cristiano também respondia criminalmente pelo caso, mas em fevereiro de 2025 firmou um acordo de não persecução penal com o Ministério Público do Estado de Goiás, encerrando o processo após homologação judicial.


Referente à absolvição, o Ministério Público de Goiás (MPGO) declara que não concorda com a decisão da Justiça e, por isso, no momento oportuno, recorrerá.




Entenda o caso



  • Durante a descida pelo toboágua azul, que estava interrompido, Davi acabou entrando em queda livre.

  • No trajeto, ele bateu em uma ripa de madeira usada na manutenção e em uma estrutura metálica do brinquedo antes de atingir o chão de chapisco.

  • Após a queda, o menino rolou para uma piscina com cerca de 70 centímetros de profundidade.

  • Exames apontaram fraturas graves no fêmur, bacia e base do crânio, além de hemorragia interna.

  • Não havia água nos pulmões, descartando afogamento como causa da morte.

  • Na época, o Grupo DiRoma, responsável pelo parque, afirmou: “Em cinquenta anos de história e tradição, nunca o Grupo DiRoma sofreu uma tragédia dessa magnitude.”




Relato dos pais


Luciano, pai de Davi e morador de Conselheiro Lafaiete (MG), contou ao Metrópoles à época como aconteceu o acidente. Por volta das 16h, Davi se afastou dizendo que iria usar o banheiro, enquanto a família aguardava em outro ponto do parque. “Quando eu vi que estava demorando, fui procurá-lo. Aí foi anunciado pelo microfone: ‘Pai da criança com roupa tal, de aproximadamente 8 a 9 anos, ir urgente na pastelaria’. Eu pensei: ‘Meu filho, aconteceu alguma coisa’”, relatou.


Ao chegar ao local, Luciano se deparou com uma cena desesperadora: muitas pessoas ao redor, uma ambulância do Samu e a equipe médica tentando socorrer Davi. “Foi muito rápido. Eu aflito com meu outro bebê no carrinho, várias pessoas me consolando e me explicando o que estava acontecendo, que não havia bloqueio nesse ‘Vulcão’. Minha esposa chegou e entrou em pânico. Fiquei exclusivamente do lado do meu filho”, contou.


Caldas Novas é um destino bastante conhecido. Davi visitou a cidade turística em todos os seus 8 anos de existência. Ele dizia que, quando fosse adulto, iria morar ali.


“Ele sabia nadar como nunca. Era louco por água e tinha um carinho muito especial por essa cidade. De agosto para cá, ele só falava dessa viagem. Eu perguntei: ‘Quer ir para onde meu filho?’. Ele falou: ‘Caldas Novas, papai’”, relembra Luciano.


Davi era conhecido por ser comunicativo e obediente. Era fã de super-heróis e a última festa de aniversário dele foi temática do Homem-Aranha.






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