
Um professor da rede pública do Novo Gama (GO), identificado como Luis Eduardo Chagas (imagem em destaque), gerou polêmica ao fazer comentários sobre o bairro Lago Azul durante uma aula. O caso ganhou repercussão após a divulgação de um vídeo nas redes sociais.
Veja:
Na gravação (veja acima), feita em sala de aula de um curso preparatório para concurso público, o docente compara realidades de bairros do município, como Lunabel e Lago Azul.
Em um dos trechos, ele afirma que, no Lago Azul, moradores não teriam acesso a pizzarias e que o lazer dos jovens seria “andar a cavalo”.
“No Lago Azul, os meninos lá não têm uma pizzaria. Você chega lá, o lazer deles é andar de cavalo. Quando chega o mês de maio no Lago Azul, os moleques não vão para a escola. Passou a festa do divino e esquece, acabou. Aí é rivotril e sertralina”, diz o professor no vídeo.
Após a repercussão negativa, Luis Eduardo publicou um pronunciamento nessa segunda-feira (30/3), em que afirmou que a fala foi retirada de contexto e pediu desculpas aos moradores.
Segundo ele, o comentário foi feito de forma “hiperbolizada” durante uma comparação entre bairros e não teve intenção discriminatória.
“Em uma de minhas aulas da semana passada, em fazer uma comparação entre dois bairros da cidade de Novo Gama, o Lunabel e o Lago Azul, de forma hiperbolizada, eu disse que o Novo Gama não possuía sequer uma pizzaria”, afirmou.
O professor também disse que a menção ao lazer de jovens que andam a cavalo não teve caráter vexatório e reforçou que o trecho divulgado foi retirado de uma aula com mais de três horas de duração.
“Como professor, sei da responsabilidade que tenho com o uso da oratória. Também sei que uma palavra retirada de seu contexto pode ocasionar desconforto, ira e entristecimento”, declarou. “Portanto, quero reiterar aqui o meu respeito, claro, a todos os moradores e comerciantes do Lago Azul”.
Nos comentários da publicação, alunos e colegas saíram em defesa do docente. Eles afirmam que a fala foi retirada de contexto e que, durante a aula, não houve intenção de desrespeitar moradores dos bairros citados.
A professora Rachel Ferreira afirmou que a “fragmentação da narrativa manipulou totalmente o discurso de maneira incompatível e que em nada corresponde à realidade”.
Uma aluna, Maria Aparecida, afirmou que Luis era um “excelente profissional”, enquanto outra estudante elogiou a aula e disse não ter visto “em momento nenhum, a ideia de diminuir os bairros em questão”.
Fabiana Araujo, outra aluna, afirmou que não fazia menor sentido o que fizeram. “Eu estava presente na aula, havia um contexto, e em nenhum momento o professor foi desrespeitoso ou inadequado”, escreveu.
Outro professor, Laércio Silva, disse conhecer o caráter, a dedicação e o amor pela educação e pelos alunos de Luis Eduardo. “Não é um ‘corte’ que vai mudar isso, irmão! Além disso, o respeito que sempre demonstrou pela comunidade, na qual ministra aulas, é admirável”, afirmou.
“Profunda indignação”
Em nota, a Prefeitura Municipal de Novo Gama manifestou “veemente repúdio e profunda indignação” às declarações. O órgão afirmou que as falas são “depreciativas e desrespeitosas” e que desconsideram a importância social do bairro Lago Azul.
“Tais manifestações não apenas ferem a dignidade dos moradores, como também desconsideram a história, os avanços e a importância social do bairro Lago Azul, construído diariamente por cidadãos trabalhadores, comprometidos e que contribuem de forma significativa para o desenvolvimento do Município”, informou.
Segundo a prefeitura, as palavras do professor “demonstram total desprezo, falta de respeito e desconhecimento pela comunidade local, inclusive pelos estudantes daquela região”.
A Câmara Municipal do Novo Gama também criticou as declarações e repudiou “qualquer manifestação de depreciação gratuita” contra a comunidade local.
“Esta Casa Legislativa não admite, sob nenhuma hipótese, discursos que atentem contra a dignidade da nossa gente ou que desqualifiquem, de maneira leviana, a identidade e o valor dos nossos bairros. O Lago Azul é parte fundamental do Novo Gama, com uma comunidade trabalhadora, resiliente e merecedora de respeito”, destacou.
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