
O consumo moderado de café pode estar associado a um menor risco de desenvolver ansiedade, depressão e outros transtornos de humor ao longo do tempo. Conforme um estudo realizado com mais de 400 mil pessoas, beber cerca de duas a três xícaras por dia esteve associado aos menores índices desses problemas de saúde mental.
A pesquisa, publicada em dezembro de 2025 no Journal of Affective Disorders, foi conduzida por cientistas da Universidade de Fudan, na China, que analisaram dados do UK Biobank, um dos maiores bancos de dados médicos do mundo. Os participantes foram acompanhados por uma média de 13,4 anos.
No início do estudo, todos apresentavam boa saúde mental. Ao longo do acompanhamento, mais de 18 mil novos casos de transtornos de humor e estresse foram registrados, o que permitiu avaliar a relação entre o consumo de café e esses problemas.
Segundo os pesquisadores, os resultados mostram que existe uma faixa de consumo associada a melhores resultados para a saúde mental.
Como o café pode influenciar o humor?
A cafeína, principal composto ativo do café, atua no cérebro bloqueando a adenosina, uma substância relacionada à sensação de cansaço. O mecanismo aumenta o estado de alerta e pode influenciar o humor.
Em quantidades moderadas, a cafeína também estimula a liberação de dopamina, um neurotransmissor ligado à sensação de prazer, motivação e aprendizado.
“Baixos níveis de dopamina costumam estar associados a fadiga e desânimo, por isso o aumento dessa substância pode contribuir para uma sensação de bem-estar”, explicam os autores do estudo.
Nem pouco, nem em excesso
A análise dos dados mostrou que a relação entre café e saúde mental segue um padrão em forma de J. Isso significa que o benefício aparece em níveis moderados de consumo e diminui quando a ingestão é muito baixa ou muito alta.
Participantes que consumiam entre duas e três xícaras de cerca de 250 ml por dia apresentaram o menor risco de transtornos de humor. Já aqueles que bebiam cinco ou mais xícaras diárias tiveram uma associação maior com esses problemas.
Os pesquisadores também investigaram se diferenças genéticas que influenciam a forma como o corpo metaboliza a cafeína poderiam alterar os resultados. No entanto, essa variação biológica não mudou significativamente a associação observada entre consumo de café e saúde mental.
Mesmo com os resultados, os cientistas destacam que o café não funciona da mesma forma para todas as pessoas. Algumas podem apresentar sintomas como nervosismo, inquietação ou palpitações mesmo com quantidades relativamente pequenas da bebida.
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