Agosto Lilás: conheça os serviços de saúde oferecidos para mulheres vítimas de violência





Secretaria garante privacidade e segurança, evitando a exposição da mulher atendida; decisão de buscar auxílio é um ato de coragem

“Cheguei com o coração esmagado de tanta dor. Foi uma etapa muito dolorosa, de sofrimento. Com o apoio oferecido, me senti acolhida para seguir em frente”. O relato é de Maria*, 34 anos, que ficou grávida após ser violentada. Ela procurou auxílio médico e foi atendida pelo Programa de Interrupção Gestacional Prevista em Lei (PIGL) do Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib) que atua conforme as normas das Salas Lilás, espaço privativo, seguro para o atendimento de vítimas de violência sexual, doméstica e familiar. 

Lígia Maria Aguiar, enfermeira da unidade, atuante no serviço especializado de atenção às vítimas de violência sexual gestantes da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) e técnica da Coordenação-Geral de Atenção à Saúde das Mulheres do Ministério da Saúde (Cgesmu-MS), explica que o serviço inclui acolhimento, atendimento, notificação compulsória dos casos e seguimento na rede intersetorial de saúde e assistência social.
 

 Lígia Maria Aguiar relata que o serviço do PIGL inclui acolhimento, atendimento, notificação compulsória dos casos e seguimento na rede intersetorial de saúde e assistência social. De janeiro a julho de 2025, o espaço atendeu 253 mulheres. Foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde DF


“Neste espaço reservado, as vítimas são acolhidas com respeito e informadas sobre seus direitos. Vai além de uma sala física porque é um acolhimento humano de uma equipe colaborativa, de escuta e cuidado, livre de julgamentos”, destaca. A unidade funciona com uma equipe multiprofissional, incluindo assistente social, enfermeira, médicas ginecologistas e psicóloga. De janeiro a julho de 2025, o espaço atendeu 253 mulheres.

O local possui sinalização discreta, para garantir privacidade e segurança, evitando a exposição da mulher atendida. Vítimas de violência sexual que tenham vivenciado a situação em até 72h podem buscar o pronto-socorro, onde terá disponível medicamentos para profilaxia e contracepção de emergência. Se a busca pelo serviço de saúde for após 72h da ocorrência, pode-se buscar qualquer unidade de saúde para cuidados.

Caso haja gestação decorrente da violência, o PIGL pode ser buscado, onde haverá testagem rápida pra Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), informações sobre direitos, além de disponibilização de cartilhas, folderes e outros materiais informativos.
 

O PIGL do Hmib atua conforme as normas das Salas Lilás, espaço privativo, seguro para o atendimento de vítimas de violência. O local possui sinalização discreta, para garantir privacidade e segurança, evitando a exposição da mulher atendida. Foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde DF


Agosto Lilás

No mês temático do Agosto Lilás, que tem como foco chamar a atenção para o enfrentamento da violência contra a mulher, Lígia reforça a importância da data como um convite para qualificação cada vez maior do cuidado às vítimas e promoção de iniciativas de conscientização e educação.

“Se você é uma menina, mulher e está submetida a uma situação de violência ou se está em dúvida, observe se existe algum tipo de controle exagerado na sua vida social, nas amizades, nas suas redes sociais ou se essa situação já chegou a vias de fato e você já apanhou, já foi forçada a fazer sexo. Saiba que pode procurar uma Unidade Básica de Saúde , um pronto-socorro, um Cepav, para compartilhar com um profissional de saúde o que você está passando. Saiba que você não tem culpa pelo que está acontecendo”, reitera a profissional.
 

O Agosto Lilás visa conscientizar e combater a violência violência sexual, doméstica e familiar contra a mulher. Foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde DF 


Também nesta semana, a Lei Maria da Penha completa 19 anos. Para atender mulheres vítimas de violência, a SES-DF conta ainda com os Centros de Especialidade Para Atenção às Pessoas em Situação de Violência Sexual, Familiar e Doméstica (Cepav), mais conhecidos como a "Rede de flores".  Nas sete regiões de Saúde do DF, cada uma das 18 unidades Cepav é identificada com uma flor diferente.

Nos Cepavs, as vítimas são acolhidas com uma notificação feita pela primeira unidade de atendimento; em seguida, há o direcionamento para a rede de serviços, tanto da própria Secretaria de Saúde ou, quando há necessidade, algum segmento intersetorial – serviço social ou sistema de justiça.

No Hmib, há o Cepav Violeta, que presta cerca de 150 atendimentos ao mês, com mais de 20 acolhimentos por semana. Além dos serviços de urgência e emergência, a unidade oferece atendimento psicossocial a vítimas de violência. O principal público desse serviço no Hmib é composto por mulheres adultas cisgênero e trans, além de crianças. O atendimento é feito por demanda espontânea, de segunda a sexta-feira, no horário comercial. 
 

Para atender mulheres vítimas de violência, a SES-DF conta ainda com os Centros de Especialidade Para Atenção às Pessoas em Situação de Violência Sexual, Familiar e Doméstica (Cepav), mais conhecidos como a "Rede de flores". Foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde DF


Busque ajuda

Marcela Novais Medeiros, psicóloga do Centro, ressalta que a decisão de buscar auxílio é um ato de coragem. “A violência doméstica intrafamiliar envolve vários tipos de violência que tendem a escalonar. Quanto mais cedo identificar, maior a possibilidade de interromper esse ciclo. Os responsáveis também precisam estar atentos a mudanças repentinas, se a criança fica muito retraída, irritada ou às vezes evita uma determinada pessoa. É preciso dialogar com essa criança para entender o que se passa”, alerta.

Os serviços ofertados pela SES-DF são gratuitos e acessíveis a toda população do DF, sendo os protocolos de atendimentos ofertados conforme orientações descritas na Linha de Cuidado a Pessoas em Situação de Violência. Confira aqui os locais e horários de funcionamento das unidades do Cepav, e saiba onde e como buscar ajuda.

*nome fictício para proteger a vítima



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