Tecnologia ganha espaço no combate ao crime e na segurança em São Paulo
São Paulo amplia o uso de tecnologia na segurança, com câmeras, reconhecimento facial, integração policial e proteção às mulheres
A sociedade brasileira se acostumou à sensação de insegurança nas últimas três décadas, mas em São Paulo há um trabalho consistente sendo realizado para transformar essa realidade de combate a criminalidade. Integração e tecnologia são a chave para essa mudança na segurança pública segundo os participantes do Metrópoles Talks – São Paulo Mais Segura – Tecnologia, Presença e Resultados na Proteção da Cidade realizado nessa sexta-feira (25/9), em São Paulo.
“Temos 20 mil câmeras da Prefeitura de São Paulo, com reconhecimento facial, alerta de intrusão e integração com câmeras da iniciativa privada. É importante destacar que a tecnologia vem para potencializar o trabalho dos nossos policiais. A tecnologia revoluciona e veio para ficar, ampliando a capacidade de atuação da Polícia”, garantiu Juliana Bussacos, secretária municipal de Segurança Urbana, em sua fala de abertura do talk.
Segundo Bussacos, a tecnologia também tem ampliado o acesso da população aos serviços de segurança. Atualmente, é possível registrar boletins de ocorrência pelo celular e solicitar medidas protetivas de forma digital.
Ela também destacou os resultados do reconhecimento facial. Desde novembro de 2024, quando começou a contabilização dos dados, mais de 3 mil prisões foram realizadas com o auxílio da tecnologia. Segundo a secretária, as ações ocorreram sem disparos de arma de fogo.
Eric Coser, fundador da Gabriel, empresa de tecnologia voltada à segurança pública, destacou a importância da colaboração entre sociedade e poder público no enfrentamento da violência. Segundo ele, a segurança é uma responsabilidade coletiva, que exige a união de esforços com o estado e o uso de inteligência de dados estruturados.
Coser também ressaltou que a Gabriel criou uma rede de câmeras inteligentes, com 22 mil equipamentos instalados em 8 mil prédios.
O fundador da Gabriel afirmou que a empresa realiza atualmente a leitura de 4 milhões de placas de veículos por dia.
“O uso de inteligência na segurança pública pode transformar totalmente o combate à criminalidade. Daqui dez anos, o roubo de celulares deixará de ser economicamente vantajoso”.
Marcelo Finger, professor titular do Departamento de Ciência da Computação da Universidade de São Paulo (USP), destacou a importância de compreender o funcionamento das tecnologias de segurança e avaliar seus resultados com base em dados.
Segundo ele, quanto mais claras forem as explicações sobre essas ferramentas, maiores serão as possibilidades de utilizá-las para o bem e evitar usos prejudiciais.
“A eficácia dos sistemas precisa ser analisada a partir de números e evidências, e não apenas de opiniões, independentemente da formação ou dos títulos de quem as apresenta. A população deve ter acesso a informações sobre essas tecnologias, que impactam o cotidiano de todos”, pontua Finger.
Eric Coser afirmou que São Paulo apresenta atualmente o menor índice de homicídios do país e destacou a mudança no perfil da criminalidade, com o avanço dos crimes digitais.
Para ele, a adoção de incentivos, metas e bonificações para servidores públicos pode contribuir para melhorar os resultados na segurança pública, uma vez que, segundo o empresário, as pessoas respondem a estímulos.