
Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) indica que a chamada gordura marrom pode exercer um papel importante no controle do câncer de mama.
Em experimentos laboratoriais, substâncias liberadas pelo tecido reduziram a sobrevivência, a multiplicação e a capacidade de migração de células tumorais, sinais associados à progressão da doença.
A pesquisa foi publicada na revista científica Cancer & Metabolism em 11 de fevereiro e contou com colaboração de cientistas da Universidade de São Paulo (USP). O trabalho analisou como diferentes tipos de tecido adiposo influenciam o comportamento de células cancerosas.
Tipos de gordura do corpo humano
- O organismo humano possui mais de um tipo de gordura. A gordura branca é a mais comum e funciona principalmente como reserva de energia.
- Já a gordura marrom participa do gasto energético e da produção de calor, sendo mais ativada em situações de frio.
- Nos testes realizados em laboratório, cada uma delas mostrou efeitos distintos sobre as células tumorais.
Gordura marrom e possíveis efeitos antitumorais
Os testes mostraram que substâncias liberadas pela gordura branca favoreceram o acúmulo de pequenas gotas de gordura dentro das células cancerosas. Esse processo costuma estar associado à progressão do tumor, já que essas reservas podem servir como fonte de energia para o crescimento e a multiplicação das células.
Com a gordura marrom, o efeito foi diferente. Os pesquisadores observaram redução da sobrevivência das células tumorais, menor ritmo de crescimento e menor capacidade de espalhamento, além de sinais de morte celular.
Também foram identificadas mudanças em mecanismos do sistema imunológico ligados ao combate ao tumor e ao aumento do chamado estresse oxidativo nas células cancerosas, um tipo de desequilíbrio que pode favorecer a destruição dessas células.
Outro achado importante foi que a atividade desse tecido pode ser intensificada quando ele está metabolicamente mais ativo, como ocorre em situações de exposição ao frio.
Os cientistas também identificaram que determinadas vias inflamatórias influenciam esse efeito, sugerindo que o estado metabólico do tecido adiposo pode interferir diretamente na resposta ao câncer.
“Nossos achados revelam um novo papel antitumoral para o tecido adiposo marrom e abrem perspectivas para explorar fatores derivados desse tecido como estratégias terapêuticas no câncer de mama”, afirmam os autores no artigo.
Os pesquisadores ressaltam que os testes foram realizados em células e modelos experimentais, o que significa que ainda são necessários estudos adicionais antes de qualquer aplicação clínica.
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