Oncogeneticista ensina o que é e quais são os sinais de tumor genético





Quando há um crescimento desordenado e incontrolável de células anormais em algum órgão, formando tumores malignos, o quadro é classificado como câncer. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença é a segunda que mais causa mortes no mundo, atrás apenas das condições cardiovasculares. Apesar de ser minoria, em alguns casos os tumores são transmitidos geneticamente de forma hereditária.



Quando o quadro tumoral é classificado como hereditário, não quer dizer que os pais passaram o câncer diretamente ao filho, mas sim que uma alteração genética capaz de aumentar o risco do desenvolvimento da doença foi herdado.


“Não significa que a pessoa obrigatoriamente terá câncer, mas ela apresenta um risco significativamente maior do que a população geral. Chamamos de alto risco quando ele é pelo menos cinco vezes superior ao risco basal da população”, explica a médica oncogeneticista Renata Sandoval, do Hospital Sírio-Libanês, em Brasília.

A situação se difere de outros cânceres que progridem através de mudanças no material genético (DNA) provocadas por erros naturais da divisão celular ou por exposição a fatores ambientais, como radiação ultravioleta ou substâncias carcinogênicas.


“Por exemplo, no câncer de pele, a radiação ultravioleta do sol pode provocar mutações acumuladas no DNA das células da pele até que elas passem a se multiplicar de forma desregulada. O câncer é uma doença genética, mas na maioria das vezes é adquirido”, exemplifica a oncogeneticista.


Estima-se que menos de 10% dos casos cancerígenos sejam tumores hereditários. Entre os que mais possuem associação com alterações genéticas estão alguns tipos de câncer de mama, especialmente em homens, e certas variedades de câncer de próstata e ovário.


A ligação também é muito presente em quadros de câncer adrenocortical na infância, que em 90% das vezes estão associados à ocorrência da síndrome de Li-Fraumeni, condição que pode causar mutação no gene supressor de tumor TP53.


“Mais recentemente, também temos observado alguns tipos de câncer de pulmão com associação genética. Na prática, qualquer câncer pode ser hereditário quando existe um defeito genético transmitido de pai para filho, aumentando o risco de desenvolvimento da doença”, aponta a oncologista Patrícia Schorn, coordenadora do Centro de Oncologia do Hospital Santa Lúcia, em Brasília.

Ilustração representando a terapia com linfócitos infiltrantes de tumor (TIL) para o tratamento do câncer. Durante a terapia com TIL, células T (azuis) que reconhecem células tumorais (vermelhas) são obtidas do paciente. Metrópoles
O código genético pode carregar mutações que aumentam as chances de desenvolver câncer

Quando o caso é passível de investigação


Alguns sinais são essenciais para apontar que há risco de câncer hereditário na família. Quanto mais rápido for identificada a presença da condição, maiores são as chances de sucesso no tratamento, caso a doença se desenvolva. Entre os principais padrões de suspeita, estão:



  • Ocorrência de câncer em idade precoce (antes dos 60 anos);

  • Vários parentes, especialmente os de primeiro ou segundo grau, com casos de câncer semelhantes;

  • Indivíduo diagnosticado com mais de um tumor;

  • Ocorrência de câncer de mama em homem;

  • Desenvolvimento de tumores neuroendócrinos raros, como paragangliomas ou feocromocitomas.


“Diante desses históricos, encaminha-se a família para avaliação com um geneticista. O especialista faz uma análise detalhada da história familiar, identifica qual gene pode estar envolvido e solicita um painel genético direcionado ou mais amplo, dependendo do caso”, diz Patrícia.

Descoberta de câncer genético influencia conduta médica


Assim que é identificada a hereditariedade, a conduta médica se altera. Indivíduos da família que possui a condição passam a investigar possíveis doenças tumorais bem mais cedo que a população em geral. A atitude é essencial para prevenção do avanço de possíveis cânceres.


“A recomendação geral é iniciar colonoscopia aos 45 anos, por exemplo, mas pessoas com síndromes genéticas podem precisar começar aos 10 ou 12 anos. No caso do câncer de ovário, o risco na população geral é de cerca de 1%, o que não justifica retirar os ovários de todas as mulheres. Porém, pessoas com mutação no gene BRCA1 podem ter risco de até 44%. Nesse caso, recomenda-se a retirada preventiva dos ovários entre 35 e 40 anos”, afirma Renata.


Para Patrícia, a detecção da condição hereditária eleva as chances de diagnóstico precoce e, consequentemente, as possibilidades de cura. “O conhecimento da mutação permite até a retirada preventiva de um órgão com alto risco de desenvolver câncer, o que pode salvar a vida do paciente”, conclui a oncologista.






Source link

https://chumbogrossodf.com.br/oncogeneticista-ensina-o-que-e-e-quais-sao-os-sinais-de-tumor-genetico/?fsp_sid=259036